terça-feira, 13 de setembro de 2011

Fui dormir, e acordei dono-de-casa - uma história verídica

Sou jornalista, paulistano, e apreciador inconteste de cerveja, não necessariamente nessa ordem.

Acumulo a esse currículo as funções de dono-de-casa desde meados de abril deste ano, logo depois da Renata - minha patroa - aceitar convite para trabalhar em Brasília.

Digo acumulo porque ser paulistano e apreciador inconteste de cerveja não são coisas que necessariamente competem com outras funções - a de jornalista, por exemplo.

Já acumular as carreiras de jornalista e dono-de-casa seria algo um pouco mais complicado, não fosse o fato de eu trabalhar com veículos online.

Vai daí que a Renata - minha patroa - veio para Brasília. E eu vim junto, com o computador embaixo do braço, à guisa de escritório.

A primeira vez que a Renata - minha patroa - foi trabalhar e eu me peguei sozinho diante da perspectiva de "cuidar da casa" confesso que senti medo. Não que eu fosse o tipo de homem que chega do trabalho, tira os sapatos em qualquer canto e abre uma lata de cerveja. Normalmente eu tomava um banho antes de pegar a lata de cerveja.

Nos fins-de-semana eu até arriscava uma aventura culinária, "pra patroa descansar", manja? Mas tirando isso e um eventual pano no chão "pra dar um tapa" eu não tinha lá muita experiência.

Me peguei sozinho em casa, dizia. Ali estavam a vassoura, o rodo, o balde, os panos, a geladeira, o fogão e o tanque. Eu tinha que fazer algo a respeito.

E eu fiz o que qualquer homem teria feito: fui para o bar.

Duas horas depois voltei e comecei a trabalhar.

Estamos em setembro e com alguns meses de experiência posso dizer que estou muito mais desenvolto com assuntos domésticos a ponto de hoje à noite, enquanto a Renata - minha patroa - ia para a cama, ter acontecido o seguinte diálogo:

- Eu gosto de me enfiar assim no lençol, parece que eu estou em um hotel - disse ela enquanto entrava na cama arrumada.
- Mas você está em um hotel: você paga e eu providencio os serviços...hah!

O que se seguiu foi um pouco mais obscuro:

- Quer trocar? Você vai trabalhar no meu lugar e eu fico aqui numa boa?
- NUMA BOA?! VOCÊ ACHA QUE EU NÃO FAÇO NADA O DIA INTEIRO?!

Seguiram-se gargalhadas. Mas depois, enquanto eu guardava o resto da janta e lavava a louça, eu passei a refletir sobre como os casais de outras gerações - e alguns da nossa - reagiriam a essa aparente troca de papeis que para nós está parecendo muito normal.

E foi daí que surgiu essa ideia desse blog onde eu quero compartilhar não só essas histórias, mas algumas dicas para os camaradas por aí que estiverem na mesma situação. E, claro, trocar figurinhas.

Enquanto isso, meus antepassados estão sentados na grande mesa de bar que fica no céu jogando truco e balançando a cabeça tentando entender.

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