quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A primeira limpeza - parte 1

Uma vez que percebi que cuidar da casa era “um caminho sem volta”, resolvi me ilustrar no assunto. Há farta literatura nos supermercados para isso em um sem-número de publicações da Johnson&Johnson´s, Bom-Bril, Unilever e de algumas editoras locais como Ypê e Ki-Boa.  

Não demorou para que eu aprendesse lições fundamentais como a que diz que o limpa-chão pode ser usado diluído em água (à proporção média de uma tampinha para cada três litros d´água) ou puro, para sujeiras mais difíceis. Também aprendi que o Sapólio, usado no box do banheiro, aumenta sua eficácia quando deixado de molho por alguns minutos.

Mas vamos do começo.

A experiência começou de verdade na nossa primeira mudança em Brasília. Como disse anteriormente, estávamos ocupando o apartamento de um amigo da Renata. Tínhamos cerca de um mês (deadline em junho) para encontrarmos um apartamento nosso, já que o contrato daquele outro vencia no fim de maio.

E encontramos. Um apartamento bem bacana na quadra 107 da Asa Norte. Importante: próximo de dois supermercados 24 horas, o que facilitaria minha vida caso precisasse de detergente ou cerveja, ou ambos, às duas da manhã.

A mudança seria em um sábado e, como todo mundo sabe, é preciso fazer uma boa faxina com o apartamento vazio antes de abarrotá-lo com os móveis. A faxina, claro, seria meu teste de fogo. Meu batismo como “neo-dono-de-casa”.

Em primeiro lugar, precisava de equipamentos.

Anos de observação do trabalho caseiro de minha mãe, avós, tias e empregadas domésticas que iam lá em casa me ensinaram que uma limpeza bem feita depende dos materiais básicos a saber: balde, panos, vassoura, rodo, escovinha, pá de lixo e produtos de limpeza a gosto do freguês.

A observação também me fez estudar o equipamento antes da compra de modo a facilitar o trabalho. Por exemplo: a pá de lixo normal obriga o vivente a se abaixar sempre que for coletar o lixo varrido. Ora, hoje existem pás que trazem cabos embutidos de modo que você possa varrer e recolher o lixo em pé, o que é um grande avanço na tecnologia doméstica.

Outro exemplo: a escovinha normal, aquela que para funcionar precisa ser agarrada pela mão fechada, deixa o dono de casa sujeito a porradas com os nós dos dedos nas paredes conforme o vigor da esfregada, e isso dói pra burro! Melhor escolher uma com cabo, que deixa as mãos em posição mais alta em relação à escova. Topadas, meus amigos, são coisa do passado.

Quanto aos panos, havia a opção de comprar os velhos sacos alvejados, branquíssimos, e que depois do primeiro contato com o solo ganham uma cor entre o ocre e o massapê. Ao lado dos panos branquinhos, no entanto, estavam outros feitos em um padrão de xadrez azul. Perfeito! (Sim, mãe, eu lavo eles direitinho, mas a impressão de sujeira é bem menor!).

Finalmente, o grande desafio: escolher os produtos de limpeza.

Você já passou por uma seção de produtos de limpeza em um grande supermercado ultimamente? A quantidade de marcas, cheiros, consistências, formatos, modos de uso e embalagens beira o ridículo. Quer dizer, a gente traz – por tradição – uma biblioteca de marcas que nossas mães usavam e que são boas e ponto. Mas isso funciona, por exemplo, para o sabão em pó e para o sapólio. E o limpa-chão? O piso da casa nova é de porcelanato branco (branco!). Nesse caso, vou de silicone ou de Ajax? Limpeza pesada ou limpeza geral? Calêndula ou Festa das Flores? Levei uns 45 minutos nesse processo e decidi por um método científico: o uni-duni-tê.

Munido dos equipamentos que ainda incluíam bom-bril, esponja, dois pães, presunto e queijo para almoçar, voltei para o apartamento e encarei o bicho de frente, como fazem os homens.

Meu segundo problema foi puramente de método. Começava da cozinha? Do banheiro? Da sacada? Deixava o banheiro e a cozinha de molho enquanto limpava os azulejos? E afinal, o que fazer com os vidros?

Mas isso tudo, amigos, é assunto para outro post.

3 comentários:

  1. "detergente ou cerveja, ou ambos", "Calêndula ou Festa das Flores"!!! Hahahahaha!! Muito bom!

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  2. Cara, acho que você tem que aproveitar que é dono de casa e fazer como meu amigo Maurício Moya, produzir a própria cerveja e se livrar do domínio pérfido da inbev.

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  3. Zé, cê não sabe! Estou em francas conversações com um novo amigo aqui em Brasília para justamente começarmos essa empreitada, haha...

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